O que é upcycling?
O upcycle é um dos processos que faz parte da Economia Circular, que propõe uma mudança na forma de produção de objetos. Atualmente a principal forma de produção é linear (extração, produção, consumo, descarte). A economia circular quer evitar o descarte e postergar a reciclagem. Em vez de descartar, utilizamos as partes do objeto antigo para produzir um novo objeto e seguimos fazendo isso, recolocando os materiais dentro do ciclo de uso até seu total desgaste - e então, neste ponto, podemos reciclar os materiais.
Upcycle é, portanto, sobre utilizar objetos que não estão sendo usados, seja por defeito, obsolescência ou por estarem fora de moda. O principal motivo para fazer upcycling é evitar o descarte dos objetos e a extração/produção de matéria-prima nova, economizando diversos recursos, como água e energia elétrica, além da própria matéria-prima.
O upcycling não se trata de pegar um objeto quase sem valor e transformá-lo em coisas que serão usadas por pouco tempo ou que resultarão em objetos de estética duvidosa, como os brinquedos de garrafa pet que apareciam na TV quinze anos atrás - isso é desperdício de energia humana. Trata-se de aproveitar o material dos objetos em desuso para fazer algo durável, útil e bonito. No upcycling, o novo objeto tem valor igual ou maior do que o(s) objeto(s) antigo(s).
Por exemplo, quando pegamos uma camisa que não se usa mais porque está furada ou com manchas ou porque simplesmente enjoamos dela e a transformamos em um vestido que vamos usar por alguns verões, economizamos cerca de 1,5m de tecido, que consumiriam diversos tipos de recursos (fibra têxtil, água, energia elétrica, espaço, tempo, pesquisa, pessoas, produtos químicos etc). Além de boicotarmos a produção de tecido, evitamos que essa camisa sem uso pare em um aterro sanitário e fique ali se decompondo por dezenas de anos, gerando gases tóxicos e poluindo ar, solo e água.
Digamos também que upcycling (ou reuso) não é bem uma novidade, nossas avós e demais antepassados certamente fizeram muito reuso. Mas parece que as gerações seguintes perderam esse hábito por causa das facilidades de acesso a produtos novos que a indústria permitiu (e estimulou) nas últimas décadas.
Enfim: por que o upcycling é importante?
Primeiramente porque a reciclagem é quase uma ilusão, uma lenda urbana. Atualmente somente alguns tipos de materiais são, de fato, reciclados no Brasil (como as latas de alumínio e o plástico pp). Os demais materiais são reciclados em baixa escala ou porque é muito difícil de reciclar (e poucas empresas os reciclam) ou porque o material pós-reciclagem adquire qualidade muito inferior. Outro problema da reciclagem é que o volume de descarte é tão grande que nem a coleta seletiva dá conta, imagina então dar conta de reciclar tudo isso. Ou seja, reutilizar é necessário. Mas também é necessário, já na fabricação, utilizar materiais reutilizáveis, recicláveis e de boa qualidade. Precisamos prever como o produto estará no fim de sua vida útil e o que poderá ser feito com suas partes (é, também, sobre isso que a economia circular fala).
No entanto, tudo isso que falei é sobre produtos em geral, aplicável principalmente às embalagens. Mas e as roupas? E aí temos um problema gigantesco. Olha, eu tinha uns dados salvos em algum lugar por aqui, mas no meio da bagunça da vida eu não achei (hahah), só me lembro que era assombroso, algo tipo 1 tonelada de resíduo têxtil (roupa mesmo, confeccionada) por dia só em São Paulo. Tudinho em aterro sanitário.
A produção industrial de roupas (as fast fashion) é enorme, assim como o consumo. E quando o consumo é alto, o descarte também é. E vai tudo pros aterros, me dá quase um desespero pensar nisso. Apenas tecidos de fibras 100% natural são biodegradáveis (algodão, linho, juta, lã, seda...), os demais tecidos demoram cerca de 200 anos para se decompor e, durante esse processo, liberam gases tóxicos. Mas quando foi a última vez que você viu uma peça de roupa de tecido 100% natural em uma loja de departamento? A maioria dos tecidos têm sido fabricados com mesclas: algodão com poliéster, algodão com elastano, poliéster com elastano... as combinações são infinitas. E essas mesclas não são recicláveis porque é complicado demais separar as fibras. E ainda tem o PU (poliuretano), o tal do "couro sintético", que é outro problemão, mas esse fica para outro texto, porque eu quero ter espaço parareclamar falar só dele.
No entanto, tudo isso que falei é sobre produtos em geral, aplicável principalmente às embalagens. Mas e as roupas? E aí temos um problema gigantesco. Olha, eu tinha uns dados salvos em algum lugar por aqui, mas no meio da bagunça da vida eu não achei (hahah), só me lembro que era assombroso, algo tipo 1 tonelada de resíduo têxtil (roupa mesmo, confeccionada) por dia só em São Paulo. Tudinho em aterro sanitário.
A produção industrial de roupas (as fast fashion) é enorme, assim como o consumo. E quando o consumo é alto, o descarte também é. E vai tudo pros aterros, me dá quase um desespero pensar nisso. Apenas tecidos de fibras 100% natural são biodegradáveis (algodão, linho, juta, lã, seda...), os demais tecidos demoram cerca de 200 anos para se decompor e, durante esse processo, liberam gases tóxicos. Mas quando foi a última vez que você viu uma peça de roupa de tecido 100% natural em uma loja de departamento? A maioria dos tecidos têm sido fabricados com mesclas: algodão com poliéster, algodão com elastano, poliéster com elastano... as combinações são infinitas. E essas mesclas não são recicláveis porque é complicado demais separar as fibras. E ainda tem o PU (poliuretano), o tal do "couro sintético", que é outro problemão, mas esse fica para outro texto, porque eu quero ter espaço para
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Agradeço muito a quem veio visitar meu blog e ler meu texto. Esse foi o primeiro, praticamente só pra desenferrujar a escrita. Não foi o melhor texto que já escrevi na minha vida, mas que venham mais e melhores e mais informativos <3
Texto por Nathana Costantin
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